sexta-feira, 7 de julho de 2017

28 - NOSSA HOMENAGEM AO DIA DA LIBERTAÇÃO DA BAYEUX FRANCESA - 6 DE JUNHO DE 1944 - "DIA D"




No dia 6 de junho o mundo comemora os 73 anos da defraudação da maior operação de guerra de todos os tempos, o "Dia D" e da libertação da cidade de Bayeux francesa, primeira cidade libertada do jugo nazista. Como homenagem a esse importante evento, fiz a tradução de um trecho da emocionante reportagem veiculada na revista francesa "Le Figaro" de 6 de junho de 2014 que deixo para a apreciação de todos.
"OS HERÓIS DO DIA D"
"A noite caiu sobre Caen. Na casa de seus pais, na rua Verrier, muito perto do estado-maior alemão, Andre Heintz, apelidado de "Théophile", um jovem da resistência de 24 anos encarregado de organizar o grupo da Organização Civil e Militar dos Jovens (OCMJ) para a Baixa Normandia, escuta a BBC em seu posto com um rádio de galena escondido em uma lata de conserva. Estamos em 5 de junho de 1944. São 21h15. Durante dezesseis longos minutos, de acordo com o comando aliado, a Rádio Londres divulga 210 “mensagens pessoais” de passagem para a ação armada destinada à Resistência. Heintz retem sua respiração e ouve: “Os dados estão sobre o tapete”. Depois outro, “Faz calor em Suez”, em seguida “Não façam piadas”. Mais um e ele saberá enfim se as informações que lhe deram são verdadeiras. A voz nasalada da BBC continua: “A flecha não perfurará”. O jovem sente a cabeça girar. Desta vez, o momento chegou! O Desembarque acaba de ser anunciado para o dia seguinte, 6 de junho, aos grupos de combate normandos. “Nunca esquecerei esse instante”, diz ele. “Esperávamos aquilo há muito tempo!”.

Às 22h56, partindo da base aérea de Tarrant Rushton, no Dorset, na Inglaterra, seis planadores Horsa, rebocados por bombardeiros Halifax, decolaram, tendo a bordo, os homens da companhia D, “2º Ox & Bucks” da 6ª Divisão Aerotransportada, comandados pelo major John Howard. Eles voam no escuro e rompem suas amarras exatamente acima de Cabourg , a cerca de 6.000 pés. Seu objectivo é tomar a ponte do canal de Caen em Bénouville e a ponte sobre o rio Orne em Ranville, para proteger o flanco esquerdo das tropas britânicas, canadenses e francesas que devem desembarcar no dia seguinte nas praias de Sword, Juno e Gold. A descida é rápida e os comandados serram os dentes. Todos sabem que, apesar do efeito surpresa esperado e os movimentos de assalto que repetiram durante meses, estarão entregues à eles mesmos uma vez engajados no combate. Primeiros no solo, primeiros a servirem…
Na ponte de Bénouville (mais tarde renomeada Pegasus Bridge), alguns minutos após a meia-noite, no dia 6 de junho de 1944, Helmut Römer, 18 anos, monta guarda. Cansado, ele olha para o relógio. O soldado que vai rendê-lo está atrasado e a correia de sua arma que ele usou durante suas aulas na Alemanha, machuca seu ombro. Seria melhor estar em casa, longe dessa guerra que ele vê com desconfiança. No céu imenso, o ronronar característico dos bombardeiros ingleses tira-o de seu morno devaneio.
Mas o jovem soldado da Wehrmacht está longe de imaginar que estes aviões são os que acabam de rebocar os planadores dos comandados que pousaram a menos de 50 metros do seu objetivo. Ainda melhor que no exercício…
Despreocupado, Römer olha a água que cintila sob sés pés. É 0h16.
Atordoados pela aterrisagem, os Britânicos emergem devagar dos planadores. Depois de uma ligeira espera, eles se infiltram em silêncio nas casamatas protetoras do acesso à ponte e neutralizam alguns soldados alemães adormecidos. Römer marcha impaciente, sem imaginar um só instante o que acontece a menos de dez metros dele. Em seguida, uma metralhadora estala. De repente, uma vintena de homens com rostos pintados de preto irrompem dos arbustos. Aterrorizado, ele só tem tempo para lançar um localizador e fugir na escuridão dando o alarme. "Eu ainda não entendo como eu tive a vida salva naquela noite!" surpreende-se. Entre os alemães, o pânico é completo. Eles atiram em todas as direções, enquanto seus atacantes atravessam a ponte, cobertos pela fumaça, e lançam granadas de fósforo nos ninhos das metralhadoras que explodem imediatamente. Pegasus caiu em menos de dez minutos. Assim como a ponte de Ranville. A maior operação de desembarque da História começou. No mesmo instante, tolhido em sua roupa de salto e apertado contra seus camaradas a bordo de um C-47 da IXth Troop Carrier Command que voa sobre o Canal da Mancha, Don Jakeway, sargento da companhia H do 508º regimento de paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada, está perdido em seus pensamentos. "Eu me perguntava se eu iria começar a atirar em um ser humano, explica ele. E depois eu também pensava no que estaria acontecendo lá embaixo nessa Normandia que eu não conhecia ... ".

Alistado no exército após o ataque dos japoneses a Pearl Habor, em 7 de Dezembro de 1941, como todos os jovens de Johnstown, pequena cidade de Ohaio onde cresceu, ele seguiu por três anos, uma das mais difíceis formações militares da época nas tropas aerotransportadas. Mas esta noite, o estresse embrulha seu estômago: o café e os donuts rapidamente engolido antes da partida ali permanecem. Ele sente náuseas. De repente, as ordens são dadas: "De pé e segurem-se!". Mecanicamente, Don verifica o equipamento do paraquedista que o precede. "Tudo ok!". A luz verde acende-se e ele desaparece na noite sem ouvir a despedida do chefe de vôo que grita: "Boa sorte, rapazes!". É 1h14 da manhã.
As duas divisões de paraquedistas tinham por missão isolar o Cotentin , para lançar ataques contra os alemães e se juntarem às tropas de desembarque da praia de Utah, aguardadas na manhã de 6 de Junho. Mas a densidade de fogo dos canhões antiaéreos é terrível. Dezenas de aparelhos são atingidos e explodem durante o voo. Outros se chocam contra o solo, geralmente antes dos paraquedistas terem tempo de sair. Muitos pilotos quebram as formações e decidem colocar o sinal verde em marcha antes mesmo que as zonas de salto sejam alcançadas, e às vezes mais perto do solo que previsto. Assim, muitas companhias se encontram abandonadas a várias dezenas de quilômetros de seus objetivos: os homens da 82ª divisão aerotransportada em torno de Sainte-Mère-Eglise e as da 101ª espalhados por Carentan. É um desastre. Muitos se afogam nos pântanos e em muitas áreas alagadas voluntariamente pelos alemães. Mais de 1.500 homens foram mortos, feridos ou feitos prisioneiros.”

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